Internacional

Um manifestante e um polícia mortos em protestos contra ataques a civis



De acordo com o procurador militar Kumbu Ngoma, citado pela agência France-Presse, "um polícia terá, alegadamente, matado um manifestante", acresecntando que outros participantes no protesto "mataram o polícia".

De acordo com a Polícia Nacional Congolesa (PNC), quatro pessoas morreram: "Duas pessoas mortas por balas perdidas" e "outras duas linchadas por manifestantes", incluindo uma mulher e um policial.

Num comunicado, a polícia afirmou que o polícia foi queimado pelos assaltantes, quando estava em sua casa.

As forças de segurança referem ainda que 12 polícias ficaram feridos nos tumultos, aos quais se acrescem oito civis.

Segundo os relatórios policiais, cinco casas de membros das forças de segurança foram incendiadas.

Desde 25 novembro que os habitantes de Beni, na província de Kivu-Norte, se manifestam contra os massacres de civis atribuídos ao grupo armado ugandês Forças Democráticas Aliadas (ADF, na sigla inglesa).

Os civis acusam as forças de manutenção de paz e as autoridades congolesas de terem uma atitude passiva face aos ataques, com alguns a pedirem a retirada da Missão das Nações Unidas na RDCongo, a MONUSCO.

O procurador militar anunciou a abertura de um inquérito judicial contra vários organizadores das manifestações, incluindo de um grupo chamado "Eu sou Beni".

Os membros deste grupo são acusados de recorrer "aos grupos armados Mai Mai [milícias congolesas] nas várias manifestações desde 25 de novembro".

A investigação irá ainda abordar o incêndio na câmara municipal e os ataques às instalações da MONUSCO na região.

Na quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que suspendeu as operações na cidade congolesa de Biakato após dois ataques a centros de prevenção do Ébola na região.

O ataque ao campo de prevenção e resposta, em Biakato, na sequência do qual um membro da equipa de vacinação e dois motoristas morreram, fez com que muitos dos funcionários da OMS e outras agências a trabalhar na zona, num total de cerca de 200 pessoas, fossem retirados, disse então o diretor da organização para emergências na área da saúde, Michael Ryan.

Os ataques são, segundo a OMS, os piores sofridos este ano pelas unidades sanitárias, dependentes desta e de outras organizações internacionais no combate ao surto de Ébola naquela zona, onde este ano ocorreram centenas de incidentes deste tipo, que causaram sete mortos e 77 feridos, recordou Ryan.

O atual surto de Ébola, que abala a RDCongo desde agosto de 2018, já causou 2.199 mortes e infetou 3.304 pessoas, é o segundo pior desde que a doença foi conhecida, superado apenas pela epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.

Os ataques ocorreram durante a noite num centro de alojamento em Biakato Mines e no gabinete de coordenação da resposta ao Ébola em Mangina, na província de Ituri (nordeste do país).

Pelo menos 19 civis foram mortos num ataque do grupo armado autodenominado Forças Democráticas Aliadas (ADF) perto de Beni, leste da RDCongo, realizado dois dias depois de outro ataque à missão das Nações Unidas no país.

Desde que o exército congolês começou uma operação contra os rebeldes ugandeses, no princípio do mês, as ADF mataram dezenas de pessoas em ataques sucessivos, o que motivou protestos entre os civis que não se sentem seguros e acusam a Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) de inação.

A instabilidade na região levou a que o Reino Unido emitisse, na sexta-feira, um boletim em que desaconselhou a realização de viagens ao extremo-norte e a toda a região leste da RDCongo.

Fonte: NM/BA

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